Como usar o FMEA - Aprenda no Total Qualidade
O FMEA (Failure Mode and Effects Analysis) em português Análise de Modo e Efeitos de Falha é uma ferramenta para analisar as potenciais falhas de um produto ou seu processo de fabricação, evitando que o problema seja detectado quando estiver em uso pelo cliente ou ainda em seu processo de fabricação e desenvolvimento. É portanto uma ferramenta preventiva que quando aplicada intensivamente pode ajudar a sua organização a evitar as falhas, que podem ser:
Falhas em produto: não proteger o usuário contra riscos de ferimento, não atender aos requisitos estabelecidos, criar efeitos colaterais perigosos, ou não minimizar conseqüências desastrosas caso ocorra um acidente.
Falhas em processo de fabrição: defeitos nas matérias primas ou componentes, erros de montagem, não atendimento aos requisitos do processo de fabricação.
Note que falhas não são prejudiciais apenas aos clientes, mas também aos fabricantes, que além de terem a imagem prejudicada, podem também ver seus custos da qualidade aumentados em função do retrabalho gerado pelas falhas em processo de fabricação.
O que eu quero deixar nítido aqui é que o FMEA pode reduzir os custos da qualidade da sua empresa. Pois reduzirá os custos da falha interna e externa, por outro lado ele aumentará os custos da prevenção, cabe a sua empresa avaliar se valerá a pena ou não, mas em geral vai valer sim.
Com o aumento da complexidade dos produtos, a redução do seu tempo no mercado (ciclo de vida) e o aumento de sua funcionalidade, torna-se cada vez mais importante a utilização do FMEA em PDP (Projeto do Produto).
O FMEA teve seu início na indústria automotiva, sendo hoje requisito para a sua cadeia de fornecimento. Na década de 80 as empresas automotivas que formam a AIAG (Automotive Industry Action Group) incorporaram o FMEA através da QS-9000 (atual ISO/TS 16949 – padrão internacional para sistemas de gestão da qualidade específico para indústria automotiva, baseado na norma ISO 9001). O FMEA é uma ferramenta caracterísitca da indústria automotiva, mas que pode ser utilizada em qualquer outro segmento.
Atualmente as empresas estão utilizando o FMEA para antecipar falhas também na prestação de serviços e indústrias como a química, petroquímica, médica, alimentos, desenvolvimento de software também utilizam a ferramenta também usam a ferramenta.
Segundo Stamatis existem quatro tipos de FMEA:
- FMEA do Sistema
- FMEA do Produto
- FMEA do Processo
- FMEA de Serviço
O FMEA é realizado por meio de sessões, com pessoas de diferentes área da empresa, com conhecimentos variados, para:
• Identificar todos os prováveis modos de falha potencial, seus efeitos e as suas causas;
• Avaliar os riscos;
• Especificar ações de melhoria
Os resultados dessas sessões devem ser registrados em um formulário, que geralmente é preenchido no desenrolar dessas reuniões. Ele deve ser sempre revisado e atualizado.
Quem já leu os meus posts aqui no Total Qualidade sobre ISO 31000, a norma de Gestão de Riscos vai encontrar uma semelhança muito grande nas abordagens.
Há uma crítica a ferramenta de ser mais um processo burocrático, as pessoas preenchem o formulário do FMEA porque são obrigadas. Deixo uma pergunta, será que isso não ocorre devido a dominância da mentalidade corretiva de nós brasileiros, ao invés da mentalidade preventiva ? Geralmente temos uma postura mais reativa do que pro-ativa em relação aos problemas que enfrentamos, o que certas vezes nos faz retrabalhar e ter um custo maior. Ou estou enganado?
FONTE: Baseado na dissertação de Mestrado - Sistematização de problemas e práticas da análise de falhas potenciais no processo de desenvolvimento de produtos.
Rafael Laurenti - Pesquisador da Escola de Engenharia de São Carlos. 2010.
No próximo post vou apresentar uma planilha para te ajudar a conduzir e registrar as reuniões de FMEA. Aguarde.













