
A história separa esses dois grandes estrategistas em mais de 2000 anos. Mas muito do que eles escreveram apresentam idéias e valores muito semelhantes, e que valem a pena serem discutidos aqui no Total Qualidade. Recentemente meu irmão comprou o livro "A Arte da Guerra - Os Treze Capítulos Originais" de Sun Tzu. Eu não perdi a oportunidade de lê-lo em um único final de semana. O livro é uma verdadeira viagem a um tempo muito antigo onde o conhecimento e as metodologias eram desenvolvidas principalmente nos exércitos e aplicadas nos campos de batalha. Dois mil anos mais tarde o conhecimento já é aplicado mais a áreas do conhecimento como tecnologia de comunicações, medicina e a competição corporativa e novos Sun Tzu´s aparecem. Nesse cenário conhecemos Michael Porter da Universidade de Harvard nos Estados Unidos. E eles têm muita coisa em comum, creio que a única diferença foi a época e os países onde viveram.
Sun Tzu falou sobre as competições militares e deixou valiosos ensinamentos sobre como liderar um exército. Desde as artimanhas políticas com os reis, até a gestão de tropas em um campo de batalha, falando em como tirar vantagens de determinados terrenos e como usar a estratégia para vencer uma batalha sem antes mesmo de iniciar um combate militar.
Sun Tzu escreveu em A Arte da Guerra:
"Quando comem seus cavalos, estão esfomeados; se as penelas se quebram, estão desesperados. "
Da mesma forma, empresas ao venderem seus ativos e participações em determinados produtos estão, como dito por Sun Tzu, comendo seus cavalos. É um sinal de que não estão gerando um fluxo de caixa que sustente os seus investimentos. Estão, portanto desinvestindo. É um visível sinal de que um concorrente não está tendo sucesso com seus clientes na indústria.
Quando vi a matéria sobre a HP, que saiu no Jornal o Globo de 19 de Agosto, rapidamente fiz a ligação a esse comentário de Sun Tzu. Veja a manchete da notícia:
"A HP sai dos mercados móvel e de consumo - Empresa desmembra sua divisão de computadores pessoais e deixa de produzir tablets e smartphones."
Alguns pontos importantes que destaco dessa matéria:
Trata-se de uma das reformas mais drásticas da história da empresa em seus 72 anos.
Surpreende a HP sair do setor da mobilidade , que está em alta e é tido como o futuro da tecnologia.
O fato é que os produtos da HP não conseguiram fazer frente ao sucesso de vendas da Apple com o iOS e o Google com o Android.
A empresa quer se focar mais no mercado corporativo e quer distância do mercado de consumidor final.
Ou seja, a HP vendeu seus ativos (devorou seus cavalos) por que não conseguiu ter sucesso nesse mercado. Os sinais de Sun Tzu podem ser também interpretados em batalhas empresariais.
Sun Tzu escreveu a Arte da Guerra em uma data não muito precisa, acordada pelos historiadores entre 481 - 221 a.C. Durante um período de muitos conflitos nas dinastias chinesas, o chamado período dos
Estados Combatentes.
As obras de Porter foram desenvolvidas num período similar. Um período onde as empresas americanas percebem uma forte concorrência de empresas japonesas principalmente na indústria automobilística. As duas principais obras de Porter:
Estratégia Competitiva e
Vantagem Competitiva foram escritas nos anos 80.
Porter comentou em Vantagem Competitiva sobre sinais dos concorrentes na indústria conforme a seguir:
Sinais da Vulnerabilidade do Líder (empresa líder de mercado)
"Compradores insatisfeitos: Um líder com compradores insatisfeitos geralmente fica vulnerável. Compradores insatisfeitos sugerem que o líder vem exercendo o seu poder de negociação ou que o pessoal do líder desenvolveu uma atitude de arrogância com base no sucesso anterior. Compradores insatisfeitos podem ativamente estimar e apoiar um desafiante (empresa que aspira a liderança no mercado)".
Ambos os autores analisaram o comportamente de seus "adversários", perceberam os sinais deixados por eles para preparar os seus generais de guerra e executivos de corporação. Conhecer a si mesmo e ao inimigo é fundamental para estabelecer a melhor estratégia de combate.
Sun Tzu falou sobre a defesa:
"Quem tem poucas forças se defende, quem tem bastante ataca. A defesa é para os tempos de escassez e o ataque para os tempos de abundância.".
E Porter disse:
"Toda empresa está vulnerável ao ataque de concorrentes. Esses ataques provêm de dois tipos de concorrentes - novos entrantes na indústria e concorrentes estabelecidos que estão procurando reposicionar-se.
A Estratégia defensiva tem por meta reduzir a probabilidade de ataque, desviar ataques para caminhos menos ameaçadores, ou reduzir sua intensidade.".
Da mesma forma que Sun Tzu foi o consultor dos reis nos tempos de guerra no que diz respeito a assuntos militares, Porter foi o consultor das grandes corporações sobre estratégia competitiva nas indústrias.
Além destas muitas outras semelhanças em princípios e valores podem ser encontradas em ambos os autores, precisaríamos de um ou mais livros inteiros para discutir todas estas similaridades. Termino esse post com uma frase marcante do Sun Tzu:
"Analise o inimigo; conquiste - o para si. Nada mais será preciso.".
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