quarta-feira, 25 de abril de 2012

Angola constrói plataformas de Petróleo com empresa certificada em ISO 9001:2008



O Total Qualidade recebe uma grande quantidade de visitas também de Portugal e de Angola, e algumas vezes já interagimos com leitores desses países, o idioma, assim como a paixão pela gestão da qualidade nos une e o nosso blog está sempre de portas abertas para informar  e trocar experiências com pessoas de qualquer lugar do mundo

As informações que sempre tivemos da Angola aqui no Brasil, é de que adquiriu tardiamente a sua independência em 1975 e sempre foi um país conturbado por sua guerra civil que durou até 2002. Hoje o quadro é bem melhor, a balança comercial externa é positiva, o país exporta cada vez mais petróleo  a taxa de crescimento do PIB prevista para 2012 é de 10,5 % e poderá ser a segunda maior taxa de crescimento do mundo, bem acima da média internacional 4,5% e da média dos países emergentes 6,5%. O Brasil crescerá em 2012 segundo previsões da ONU apenas 2,7 %.



Miss Universo 2011 - Angolana Leila Lopes

A Angola é um rico produtor de alimentos, porém grande parte de sua população ainda passa fome.  É também um grande produtor de petróleo, minério de ferro e diamantes.

O país é predominantemente agrário e um terço de sua atividade econômica concentra-se em Luanda.  Veja mais no Wikipedia.



Agora eu pergunto: você já imaginou a Angola construindo plataformas petrolíferas?  E com empresas certificadas na norma ISO 9001:2008.  Já pensou em algo como "Made in Angola"?

A Angola possui atualmente 18 certificados na norma ISO 9001 e um deles é da companhia Sonamet, vale a pena ver a reportagem a seguir do Jornal de Angola On line.

A Sonamet é uma empresa do grupo Sonangol, vocacionada para o fabrico de plataformas de exploração de petróleo em águas rasas e ultra-profundas. O director-geral da empresa, José António Barroso, em entrevista ao Jornal de Angola, disse que está apostado na formação de quadros angolanos para o sector, na transferência de “know-how” e tecnologia. E na criação de postos de trabalho. A empresa é especialista na construção de plataformas petrolíferas, uma indústria de ponta.


Jornal de Angola - Que importância representa para Angola o fabrico de plataformas petrolíferas?


José António Barroso – A Sonamet foi criada, em 1997, com o objectivo de servir a indústria petrolífera angolana. O fabrico de instalações petrolíferas no país garante o desenvolvimento de novas instalações, transferência de “know-how” e tecnologia, criação de postos de trabalho e formação de quadros. Para além de que a nossa empresa suporta pequenas unidades que fornecem serviços.


JA - Quais são as transformações da Sonamet desde a sua criação?


JAB - Ao longo dos anos, a empresa multiplicou as suas competências. Começámos como fabricantes de estruturas para águas rasas, depois avançámos para o fabrico de  estruturas de águas profundas. Hoje, a Sonamet está a passar por um processo de reestruturação interna que visa a adaptação da organização a uma nova visão corporativa que visa cobrir toda a indústria petrolífera. Estamos a executar o projecto Congo River Crossing, da Cabinda Gulf Oil Company (CABGOC), que inclui duas plataformas de limpeza do asfalto acumulado no interior das linhas de transporte de hidrocarbonetos.






JA - Em que áreas deste projecto a Sonamet vai intervir?




JAB - A Sonamet é responsável pelas principais fases do projecto: engenharia, aprovisionamento, compra de material e fabrico. Só não fazemos a instalação. Ao longo destes anos fomos aumentando a complexidade e o tamanho das estruturas fabricadas. Neste contexto temos hoje um desafio importantíssimo que é o fabrico de uma “jacket” de cinco mil toneladas para o projecto South Nemba da CABGOC. Esta “jacket” vai ser a maior a ser fabricada pela Sonamet, tanto pelo seu peso como pela complexidade que representa a sua construção.


JA - A exploração do pré-sal não constitui um desafio para a Sonamet?  


JAB - Os projectos do pré-sal ainda estão numa fase de pesquisa, dimensionamento das suas estruturas produtivas ou estudos de viabilidade técnica e comercial. Caso se confirme o seu potencial comercial representa definitivamente um novo boom para a indústria do petróleo e gás em Angola. A Sonamet está a preparar-se para uma participação nos futuros projectos de desenvolvimento  ligados ao pré-sal.


JA - O vosso trabalho está dentro dos requisitos exigidos internacionalmente?


JAB - Os produtos fabricados pela Sonamet são aceites pelos nossos clientes devido à sua qualidade, comparável e muitas vezes superior aos produtos similares fabricados em estaleiros da Europa, Médio Oriente e Ásia. Os projectos realizados nos campos petrolíferos angolanos Vuco, Cungulo, Kuito, Tacula, Girassol, Dália, Rosa-Lírio, Kizomba, Xicomba, Grande Plutónio, Saxi/Batuque e mais recentemente os campos de PSVM e Pazflor, são prova da capacidade tecnológica e funcional da Sonamet. 


JA - A que se deve o reconhecimento da qualidade dos vossos produtos? 


JAB - As soluções tecnológicas utilizadas por nós, em muitos casos foram aplicadas pela primeira vez a nível mundial. Isso permite-nos exportar para outros países e continentes soluções técnicas com o carimbo “Made in Angola”. A Sonamet tem a sua certificação ISO 9001-2008, desde Março de 2011.


JA - Quantos trabalhadores tem a empresa?


JAB - O número de trabalhadores varia de acordo com a nossa actividade. Hoje temos 1.500 trabalhadores e pensamos atingir 1700 em Julho/Agosto deste ano.


JA - Qual é percentagem de trabalhadores nacionais e estrangeiros?


JAB - O rácio entre empregados nacionais e estrangeiros tem vindo a evoluir positivamente, a favor da angolanização. Aliás a angolanização da nossa força de trabalho a todos os níveis é uma prioridade. Também é prioritária a integração de trabalhadores, técnicos e quadros da região de Benguela e Lobito. Hoje temos uma média de 73 por cento de trabalhadores nacionais. 


JA - Quando baixa a produção, os trabalhadores são dispensados?


JAB - A Sonamet tem no seu quadro um número definido de trabalhadores que garante à empresa um determinado volume de trabalho médio regular e quando há um “pico” de actividade recorremos a empresas vocacionadas para o fornecimento de mão-de-obra. Uma vez passado o período “irregular” da alta de produção, esses trabalhadores regressam às suas empresas de origem. Recebem todas as garantias previstas na Lei Geral do Trabalho. Mas não sendo trabalhadores da Sonamet, é a sua empresa que trata destas questões directamente. 


JA - A sede da Sonamet está localizada no Lobito, mas a direcção trabalha em Luanda. Isto cria transtornos?


JAB - A Sonamet tem o seu registo fiscal e predial na cidade do Lobito e naturalmente construiu a sua sede social aqui. Alguns membros da direcção estão baseados no Lobito, enquanto outros trabalham em Luanda por razões operacionais e de funcionalidade. Esta condição deve-se principalmente ao facto dos principais clientes e empresas associadas estarem na capital do país. Contudo, os quadros residentes em Luanda estão regular e semanalmente presentes no Lobito. 


JA - Que acções de âmbito social são realizadas na área de saúde e educação?


JAB - Temos desenvolvido vários programas de âmbito social. Colaboramos com os hospitais, orfanatos e escolas. Acreditamos que o nosso apoio tem ajudado a melhorar as condições de muita gente, principalmente crianças. 


JA - A empresa tem uma clínica na cidade do Lobito. Existe um projecto para atender a comunidade?


JAB - Na realidade nós não temos uma clínica, mas sim um posto médico para o atendimento de emergências que possam surgir durante o processo de trabalho. Estamos equipados com os meios técnicos e pessoal médico necessários para estabilizar uma pessoa acidentada ou que sofra de qualquer enfermidade repentina, antes de a transferir para uma unidade hospitalar. Em alguns casos atendemos também trabalhdores e seus familiares, mas não temos capacidade nem condições para atender a comunidade.


JA - Existe algum projecto de assistência médica à comunidade?


JAB - Devido ao aumento de trabalhadores resultante do aumento da produção, a direcção da empresa está a avaliar a possibilidade de redimensionar o posto médico. Caso o estudo assim o indique, podemos equacionar a possibilidade de instalar uma clínica dentro das nossas instalações. Mas para isso é necessária uma autorização das autoridades.


JA - Como está a decorrer o programa de combate à malária?


JAB - No início da actividade do estaleiro, a empresa registava muitos casos de absentismo por doença, principalmente malária. Para mitigar esta situação, a empresa  adoptou alguns procedimentos de prevenção indicados pela Organização Mundial da Saúde e usados pelas operadoras petrolíferas. A interacção com a comunidade ajudou a empresa a obter conhecimentos sobre as condições de sanidade da região e hábitos das suas populações, permitindo ao grupo médico da empresa desenvolver um programa de combate à malária, com o suporte das autoridades médicas especializadas nacionais e locais. 


JA - Obtiveram bons resultados com o programa?


JAB - Sim, por isso, devido ao seu sucesso, decidimos levá-lo para áreas longínquas, como o município do Bocoio. Os resultados obtidos são extraordinários e foram diversas vezes apresentados em fóruns internacionais. O “approach” científico usado foi reconhecido pelas autoridades sanitárias nacionais e internacionais e tem servido de base para outros programas de combate à malária a nível mundial. 


JA - Qual tem sido a aposta da empresa na formação de quadros nacionais? 


JAB - As acções contínuas de recrutamento, treino e formação técnico-profissional levadas a cabo pela Sonamet têm contribuído de forma directa para a melhoria e diversificação das competências dos quadros nacionais da empresa, e contribuem também para a elevação dos níveis de formação e inclusão social dos jovens do Lobito, Catumbela, Benguela e outras regiões, melhorando de forma indirecta as condições de vida de uma parcela importante da população. 


JA - Qual foi o objectivo da criação do Centro de Formação Paulo Teixeira Jorge? 


JAB – O Centro de Formação Paulo Teixeira Jorge, nome dado em homenagem ao primeiro presidente da Mesa da Assembleia Geral da empresa, Paulo Teixeira Jorge, foi inaugurado em Abril de 2010. Estas instalações têm condições excelentes e modernas. Surgem naturalmente em função do crescimento da empresa, que levou ao recrutamento e integração de um número elevado de jovens, oriundos principalmente do Lobito e Benguela, que não tinham as competências necessárias para exercer a sua actividade na empresa. O centro ministra outros tipos de formação técnica ou para o desenvolvimento de competências de gestão e melhoria de comportamento. Hoje os quadros formados são maioritariamente absorvidos pela Sonamet, mas todos os nossos competidores e outras empresas do sector, incluindo as operadoras multinacionais, têm quadros formados na Sonamet.



Infelizmente, assim como no Brasil, os reflexos históricos de um longo período de colonização apontam resultados ruins em índices como o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), taxa de mortalidade infantil, expectativa de vida e uma elevada corrupção, nada que o tempo, a dedicação, o empreendedorismo e o esforço possam resolver.

Saudações também aos nossos amigos Angolanos e parabéns pela conquista.

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