Reunião de Análise Crítica - Como realizar reuniões envolventes
Escrito por Mauricio Branzani
Analista da Qualidade

Este artigo visa tocar em um assunto até certo ponto delicado, mas de grande importância em empresas que buscam uma Certificação em um Sistema de Qualidade ou àquelas que já o possuem. Quero falar sobre a Reunião de Análise Crítica, onde estudamos os resultados alcançados até aquele momento e que será feito daquela data em diante.
Pela importância dada a esta reunião no momento da certificação, devemos entender que é de extrema necessidade que todo o assunto ali tratado tenha um enfoque cuidadoso, pois estamos falando da estratégia da empresa na realização do produto, na maneira como irá proceder qualquer problema que porventura ocorra e como irá tratar de seu bem maior: o cliente.
Mas nem todos em uma Organização vêem esta reunião com estes olhos. A principal queixa que ouvi ao longo de mais de quinze anos de experiência na área de Qualidade é que se trata de uma reunião longa, modorrenta e que não leva a lugar algum. Alguns já chegaram a dizer que “poderiam estar se dedicando a algo mais produtivo enquanto perde tempo com esta reunião”. Ledo engano, mas não dá pra todo mundo pensar da mesma forma.
Em uma das empresas em que desenvolvi a função de Analista da Qualidade, um dos muitos desafios que me coloquei foi o de tornar a Reunião de Análise Crítica algo mais dinâmico e um espaço de tempo menor. Estamos falando de uma empresa no ramo de usinagem, situada em Indaiatuba (interior de São Paulo), com aproximadamente 100 colaboradores. Por se tratar de uma empresa de médio porte, a parte administrativa era composta por pessoas que exerciam mais de uma função. Por isso, as pessoas enxergavam o Sistema da Qualidade que tomava tempo sem demonstrar resultados, visão que consegui mudar ao longo dos seis anos que passei por lá. Mas isso é uma história que contarei em outra oportunidade.
As primeiras reuniões que visavam analisar nosso SGQ chegaram a durar mais de sete horas. Enquanto um colaborador falava sobre o seu processo, os outros quase não participavam ou pouco falavam. A reunião era mais parecida com uma chamada oral dos tempos de colégio do que propriamente uma reunião. Dessa forma, entendi que, como RA da Organização e responsável por aquela reunião, era preciso fazer com que o tempo dedicado àquela situação fosse totalmente positivo.
O primeiro passo foi organizar um check-list, onde era possível encontrar todos os tópicos da reunião e o que deveria ser analisado naquele momento. Este formulário foi entregue ao responsável de cada processo, para que estivesse preenchido em, no máximo, três dias úteis. Junto do check-list, deveriam ser anexos gráficos, planilhas e toda a informação pertinente sobre aquilo que estávamos estudando.
Após o preenchimento, marcávamos uma reunião, batizada de “pré-RAC”, onde eu e o responsável pelo processo repassávamos todos os pontos do check-list. Enquanto eu lia o formulário preenchido, o colaborador falava sobre o assunto, colocando pontos de vista, ações tomadas ou planejadas e oportunidades de melhoria. Esta “pré-RAC” durava em torno de 40 minutos e dela era elaborada uma pequena ata no momento da reunião. Contando todos os processos, isso era feito em cerca de seis dias, com menos de uma hora/dia.
O segundo passo era transformar o resultado de todas as “Pré-RAC’s” em uma única ata. Este documento deveria conter todo o material coletado e tudo que foi conversado naquelas primeiras reuniões. Tudo era organizado com base no check-list já desenvolvido e resultado desse trabalho viria a se tornar a ata da Reunião de Análise Crítica. Porém, ainda faltava reunir todos os interessados.
Em um dia proposto pelo Diretor da empresa (ele não estava presente diariamente), todos os responsáveis se reuniam para a leitura da ata previamente produzida. Cada ponto que eu lia tinha uma observação do Diretor e os envolvidos falavam sobre o assunto. Quando algum ponto necessitava da abordagem de mais de um processo, ambos falavam e se chegava a um consenso. Ao final da Reunião, todos assinavam a ata e deixavam a sala satisfeitos com o resultado.
Esta ação fez com que as reuniões intermináveis dessem lugar a algo dinâmico, proveitoso e rápido. Ao invés das sete horas iniciais, a reunião mais longa durou em torno de 90 minutos, uma redução de mais de 75%. Além deste resultado, os colaboradores sentiam-se mais participativos, por serem ouvidos individualmente, entendendo que seus processos eram melhor compreendidos. E chegavam à Reunião de Leitura com uma motivação maior para explicar o que estava escrito. Um resultado valioso e que otimizou as nossas Reuniões de Análise Crítica.









7 comentários:
Também já passsei pelo mesmo problema e ouvi muitos comentários que a reunião de análise crítica é enchimento de linguiça. Acho que vale ressaltar que a importãncia da reunião deve estar na cabeça da alta direção para assim, promover a cultura entre seus gestores. Em empresas que trabalhei a diretoria era comprometida, acompanhava e cobrava as ações que foram delegadas na reunião. Adorei a ideia do check-list. Parabéns pelo artigo.
22 de janeiro de 2013 03:31Abraço,
Ilane Barros
Gestora de processos e qualidade
ilanebsarmento@gmail.com
Eu achei muito bom esse artigo do Mauricio. A norma nunca diz o como fazer, então é através de experiências como essas que podemos criar valor e implantar o sistema envolvendo as pessoas. Vejo muita gente reclamando da participação dos colaboadores, mas vemos também pouco esforço em tornar o aprendizado mais dinâmico e participativo e este exemplo do artigo é excelente.
22 de janeiro de 2013 04:43Pois é. Vou por em prática na próxima reunião de análise crítica.
22 de janeiro de 2013 11:57Ótimo, depois comenta pra gente como foi o resultado.
22 de janeiro de 2013 13:11A ideia de modificar o formato era pra que pudesse fazer as pessoas entenderem o real motivo da reunião. E quanto a Alta Direção, já trabalhei em empresas onde tive que fazer um trabalho de convencimento, mostrando resultados e fazendo com que compreendessem a importância do SGQ. Abraço a todos!
22 de janeiro de 2013 14:00Mauricio, achei muito interessante seu artigo e gostaria de ler mais sobre sua experiência, principalmente sobre como conseguiu mudar a visão dos colaboradores em relação ao SGQ. Parabéns e Obrigada.
22 de janeiro de 2013 16:33Renata Campos - Analista de Qualidade
No meu caso vou botar em prática a experiência de Mauricio na empresa que trabalho não para fazer as pessoas entenderem o real motivo da reunião, pois eles já entendem e gostam. É mais para a reunião ficar mais dinâmica, rápida e proveitosa.
23 de janeiro de 2013 03:11Postar um comentário