sexta-feira, 15 de março de 2013

Certificação OHSAS 18001 - Passo a Passo



PRINCIPAIS PASSOS E DICAS PARA CERTIFICAÇÃO NA OHSAS 18001


Escrito por Ted Marcel Horn
Gerente de QSMS
CMO – Construção e Montagem Offshore S/A


Quando uma empresa decide implantar um sistema de gestão em Saúde e Segurança do Trabalho, visando a certificação na norma OHSAS 18001, está dando um grande passo rumo a uma maior qualificação perante o mercado e também à promoção de um ambiente de trabalho mais seguro e saudável. O objetivo desse artigo é mostrar os principais passos desse processo e sugerir algumas dicas que podem facilitar o trabalho.

O primeiro, e fundamental, passo a ser dado é a definição de uma Política de Gestão em Segurança e Saúde. Esse documento deve refletir as diretrizes adotadas, o compromisso da alta direção com a prevenção e os objetivos a serem alcançados. Será o norte da conduta de todos os profissionais componentes dessa empresa definindo seu padrão no que diz respeito à SST.

Logo em seguida, vem o levantamento e identificação dos perigos, existentes ou potenciais, dos processos produtivos, com uma avaliação dos riscos quanto a sua gravidade. Isso permite que sejam estabelecidas prioridades nas ações e investimentos. Os requisitos legais e normativos aplicáveis às atividades também deverão ser conhecidos nesse momento. Caso já exista uma gestão da Qualidade, essa tarefa fica mais fácil, pois os processos já estão todos mapeados, podendo-se partir diretamente para a análise de riscos. Com esse trabalho feito e de posse dos itens normativos e legislações, já é possível elaborar um cronograma de implementação. Isso dará a dimensão do investimento envolvido e também dos benefícios que serão proporcionados.

Dica número 1. Muitas empresas contratam consultores para auxiliá-las no planejamento do processo de desenvolvimento e implantação, visto que o projeto demanda um volume grande de tarefas e o suporte de profissionais especializados e experientes é bastante vantajoso. Existem também prestadores de serviço de identificação de requisitos legais e normativos, que inclusive auxiliam na gestão do atendimento dos mesmos.

Outro ponto importantíssimo é o trabalho de conscientização das lideranças da empresa, para que se comprometam com a política de SST. Sem esse engajamento, a implementação e, sobretudo, o funcionamento do sistema de gestão fica seriamente prejudicado, visto que esses profissionais são elementos chave na organização e sempre são vistos como exemplo pelos seus subordinados. Dessa forma, a cultura prevencionista expressa na política ficará arraigada em todos os níveis da empresa.

O próximo passo é estruturar o sistema, estabelecendo procedimentos, elaborando planos, programas, determinando metas, tudo isso visando controlar e até mesmo eliminar os riscos identificados. Vale destacar que, nesse instante, o conhecimento dos itens da OHSAS 18001 pelos gestores é muito importante, pois neles está todo o fundamento da gestão de SST.


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Dica número 2. Realizar treinamento de interpretação da norma com todos os gestores envolvidos é muito interessante nesse momento, pois dará a visão necessária sobre a gestão que está sendo implantada. Essa fase é muito semelhante ao que ocorre nos sistemas de gestão da Qualidade e Meio Ambiente. Portanto, se na empresa já houver algum sistema desses, a compreensão será facilitada, visto que não será necessário partir do zero, mas sim, da integração das prerrogativas de SST ao sistema vigente.

Agora que tudo já está preparado e o planejamento feito, é hora de “colocar o time em campo”. Os documentos do sistema deverão ser divulgados aos profissionais, os programas devem ser postos em prática, as adequações das instalações devem ser executadas (sinalização, fornecimento de EPI´s, equipamentos de combate a incêndio, etc.), treinamentos, elaboração de laudos, entre outras ações identificadas. Nesse momento o sistema de gestão sai do papel e começa a ficar cada vez mais visível, sendo incorporado ao dia-a-dia da empresa.

A partir desse ponto já é possível abrir os famosos Relatórios de Não Conformidades, ou RNC´s, ferramenta muito útil para análise e planejamento das correções necessárias, além de melhorias identificadas. Dica número 3. Existem sistemas informatizados, inclusive via internet/intranet que auxiliam na gestão de não conformidades, tornando muito prático e objetivo esse processo, além de eficiente. Vale lembrar que o hábito de abrir e tratar não conformidades promove um grande amadurecimento da gestão, além de ser muito valorizado em auditorias.

Após alguns meses de implantação, deve ser feita uma avaliação geral. Então é hora de realizar uma auditoria interna. Esse processo é muito importante, pois revelará em que nível de aderência à norma está o sistema. Costuma-se dizer que é o momento de “abrir o coração” e registrar toda e qualquer não conformidade existente ou potencial, visto que todo esse passo ocorre internamente. É totalmente normal e até saudável para a empresa que um grande número de RNC´s seja aberto nessa fase, pois o sistema ainda não atingiu sua maturidade e existem inúmeras oportunidades de melhoria, além de vários ajustes.

Dica número 4. É importante enfatizar que uma análise séria de não conformidades nunca deve buscar culpados. Essa prática é uma das piores inimigas de um sistema de gestão, seja qual for a especialidade, pois ela inibe a participação dos funcionários na melhoria contínua da gestão e também faz com que as práticas de prevenção sejam executadas por “medo” e não por serem tomadas como valor. Na detecção de uma não conformidade o que não está de acordo com a norma é o procedimento, é o sistema em si, e não as pessoas envolvidas.

Depois de concluída mais essa etapa, deve ser realizada a análise crítica do sistema. Essa reunião deve acontecer com periodicidade definida (conforme critério da empresa) e contar com a presença da alta direção, do corpo estratégico e tático da empresa. É o momento em que se analisa o que deve ser modificado, o que pode ser melhorado, o que os indicadores de gestão estão apontando e os recursos necessários. A partir daí traça-se um novo planejamento para o período seguinte.

Concluída essa fase interna, vem o último degrau, que é a auditoria externa. Esse processo é realizado por empresas credenciadas e autorizadas a recomendar a certificação, atestando que o sistema de gestão avaliado atende aos requisitos da OHSAS 18001. Dica número 5. É muito importante que se conheça a empresa certificadora, seus clientes, suas referências e sua idoneidade, para que não se contrate uma empresa que não possa entregar um certificado que tenha credibilidade. Obtido o certificado, vem a manutenção do sistema, que é outro grande desafio a ser enfrentado, mas que consolida a cultura da prevenção.

Um projeto como esse demanda um volume muito grande de trabalho, de maior ou menor complexidade conforme o porte e as atividades da empresa. No entanto, um ponto comum a todas aquelas que passam por um processo desses, é a necessidade do envolvimento de todos os profissionais que atuam em seus quadros. As pessoas, sem dúvida alguma, são o ponto crucial, pois esse é o foco da OHSAS 18001. Sem que elas adotem a prevenção como valor em seu cotidiano, todo esforço da empresa será em vão. Portanto, deve-se enfatizar a importância da conscientização de que cada um é o responsável maior pela sua saúde e segurança.

Um abraço e bom trabalho a todos!

Conheça também o KIT de Modelos de Documentos para implantação de SGI (ISO 9001 + ISO 14001 + OHSAS 18001)

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