Certificação OHSAS 18001 - Passo a Passo
PRINCIPAIS PASSOS E DICAS PARA CERTIFICAÇÃO NA OHSAS 18001
Escrito por
Ted Marcel Horn
Gerente de
QSMS
CMO –
Construção e Montagem Offshore S/A
Quando uma empresa decide implantar
um sistema de gestão em Saúde e Segurança do Trabalho, visando a certificação
na norma OHSAS 18001, está dando um grande passo rumo a uma maior qualificação
perante o mercado e também à promoção de um ambiente de trabalho mais seguro e
saudável. O objetivo desse artigo é mostrar os principais passos desse processo
e sugerir algumas dicas que podem facilitar o trabalho.
O primeiro, e fundamental,
passo a ser dado é a definição de uma Política de Gestão em Segurança e Saúde.
Esse documento deve refletir as diretrizes adotadas, o compromisso da alta
direção com a prevenção e os objetivos a serem alcançados. Será o norte da
conduta de todos os profissionais componentes dessa empresa definindo seu padrão
no que diz respeito à SST.
Logo em seguida, vem o levantamento
e identificação dos perigos, existentes ou potenciais, dos processos
produtivos, com uma avaliação dos riscos quanto a sua gravidade. Isso permite
que sejam estabelecidas prioridades nas ações e investimentos. Os requisitos
legais e normativos aplicáveis às atividades também deverão ser conhecidos
nesse momento. Caso já exista uma gestão da Qualidade, essa tarefa fica mais
fácil, pois os processos já estão todos mapeados, podendo-se partir diretamente
para a análise de riscos. Com esse trabalho feito e de posse dos itens
normativos e legislações, já é possível elaborar um cronograma de
implementação. Isso dará a dimensão do investimento envolvido e também dos
benefícios que serão proporcionados.
Dica número 1. Muitas empresas contratam consultores para
auxiliá-las no planejamento do processo de desenvolvimento e implantação, visto
que o projeto demanda um volume grande de tarefas e o suporte de profissionais
especializados e experientes é bastante vantajoso. Existem também prestadores
de serviço de identificação de requisitos legais e normativos, que inclusive
auxiliam na gestão do atendimento dos mesmos.
Outro ponto importantíssimo é o
trabalho de conscientização das lideranças da empresa, para que se comprometam
com a política de SST. Sem esse engajamento, a implementação e, sobretudo, o
funcionamento do sistema de gestão fica seriamente prejudicado, visto que esses
profissionais são elementos chave na organização e sempre são vistos como exemplo
pelos seus subordinados. Dessa forma, a cultura prevencionista expressa na
política ficará arraigada em todos os níveis da empresa.
O próximo passo é estruturar o
sistema, estabelecendo procedimentos, elaborando planos, programas, determinando
metas, tudo isso visando controlar e até mesmo eliminar os riscos identificados.
Vale destacar que, nesse instante, o conhecimento dos itens da OHSAS 18001
pelos gestores é muito importante, pois neles está todo o fundamento da gestão
de SST.
Dica número 2. Realizar treinamento de interpretação da norma com
todos os gestores envolvidos é muito interessante nesse momento, pois dará a
visão necessária sobre a gestão que está sendo implantada. Essa fase é muito
semelhante ao que ocorre nos sistemas de gestão da Qualidade e Meio Ambiente.
Portanto, se na empresa já houver algum sistema desses, a compreensão será
facilitada, visto que não será necessário partir do zero, mas sim, da
integração das prerrogativas de SST ao sistema vigente.
Agora que tudo já está
preparado e o planejamento feito, é hora de “colocar o time em campo”. Os
documentos do sistema deverão ser divulgados aos profissionais, os programas
devem ser postos em prática, as adequações das instalações devem ser executadas
(sinalização, fornecimento de EPI´s, equipamentos de combate a incêndio, etc.),
treinamentos, elaboração de laudos, entre outras ações identificadas. Nesse
momento o sistema de gestão sai do papel e começa a ficar cada vez mais
visível, sendo incorporado ao dia-a-dia da empresa.
A partir desse ponto já é
possível abrir os famosos Relatórios de Não Conformidades, ou RNC´s, ferramenta
muito útil para análise e planejamento das correções necessárias, além de
melhorias identificadas. Dica número 3. Existem sistemas informatizados,
inclusive via internet/intranet que auxiliam na gestão de não conformidades,
tornando muito prático e objetivo esse processo, além de eficiente. Vale
lembrar que o hábito de abrir e tratar não conformidades promove um grande
amadurecimento da gestão, além de ser muito valorizado em auditorias.
Após alguns meses de
implantação, deve ser feita uma avaliação geral. Então é hora de realizar uma
auditoria interna. Esse processo é muito importante, pois revelará em que nível
de aderência à norma está o sistema. Costuma-se dizer que é o momento de “abrir
o coração” e registrar toda e qualquer não conformidade existente ou potencial,
visto que todo esse passo ocorre internamente. É totalmente normal e até
saudável para a empresa que um grande número de RNC´s seja aberto nessa fase,
pois o sistema ainda não atingiu sua maturidade e existem inúmeras
oportunidades de melhoria, além de vários ajustes.
Dica número 4. É importante enfatizar que uma análise séria de não
conformidades nunca deve buscar culpados. Essa prática é uma das piores
inimigas de um sistema de gestão, seja qual for a especialidade, pois ela inibe
a participação dos funcionários na melhoria contínua da gestão e também faz com
que as práticas de prevenção sejam executadas por “medo” e não por serem tomadas
como valor. Na detecção de uma não conformidade o que não está de acordo com a
norma é o procedimento, é o sistema em si, e não as pessoas envolvidas.
Depois de concluída mais essa
etapa, deve ser realizada a análise crítica do sistema. Essa reunião deve acontecer
com periodicidade definida (conforme critério da empresa) e contar com a
presença da alta direção, do corpo estratégico e tático da empresa. É o momento
em que se analisa o que deve ser modificado, o que pode ser melhorado, o que os
indicadores de gestão estão apontando e os recursos necessários. A partir daí
traça-se um novo planejamento para o período seguinte.
Concluída essa fase interna,
vem o último degrau, que é a auditoria externa. Esse processo é realizado por
empresas credenciadas e autorizadas a recomendar a certificação, atestando que
o sistema de gestão avaliado atende aos requisitos da OHSAS 18001. Dica
número 5. É muito importante que se conheça a empresa certificadora, seus
clientes, suas referências e sua idoneidade, para que não se contrate uma
empresa que não possa entregar um certificado que tenha credibilidade. Obtido o
certificado, vem a manutenção do sistema, que é outro grande desafio a ser
enfrentado, mas que consolida a cultura da prevenção.
Um projeto como esse demanda um
volume muito grande de trabalho, de maior ou menor complexidade conforme o
porte e as atividades da empresa. No entanto, um ponto comum a todas aquelas
que passam por um processo desses, é a necessidade do envolvimento de todos os
profissionais que atuam em seus quadros. As pessoas, sem dúvida alguma, são o
ponto crucial, pois esse é o foco da OHSAS 18001. Sem que elas adotem a
prevenção como valor em seu cotidiano, todo esforço da empresa será em vão.
Portanto, deve-se enfatizar a importância da conscientização de que cada um é o
responsável maior pela sua saúde e segurança.
Um abraço e bom trabalho a
todos!
Conheça também o KIT de Modelos de Documentos para implantação de SGI (ISO 9001 + ISO 14001 + OHSAS 18001)
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