Resolução de Problemas por Meio da Metodologia QRQC e a Promoção da Melhoria Contínua
Resolução
de Problemas por Meio da Metodologia QRQC e a Promoção da Melhoria Contínua
Cirlei Carlos Costa
Engenheiro da
Produção,
Aluno do MBA em Administração e Qualidade
(Facinter)
RESUMO
Esta pesquisa está
baseada na metodologia QRQC – Quick
Response Quality Control (Resposta Rápida para Controle de Qualidade)
utilizada pela empresa X do setor
automotivo, localizada em São José dos Pinhais – Paraná. Com o objetivo de
tratar um problema e eliminá-lo definitivamente, o QRQC trabalha com um
conjunto de ferramentas da qualidade usadas sequencialmente atuando na
contensão do problema e a imediata investigação e atuação direta na causa raiz.
O objetivo deste trabalho foi de mostrar a tratativa de um problema e eliminá-lo
definitivamente, o QRQC trabalha com um conjunto de ferramentas da qualidade
usadas sequencialmente atuando na contensão do problema e a imediata
investigação e atuação direta na causa raiz. A atuação do QRQC envolve todos da
organização a buscar a melhoria contínua, de clientes até fornecedores. No caso
apresentado, o envolvimento da organização e do fornecedor mostrou-se
fundamental, apesar de algumas dificuldades na obtenção de evidências de
contensão e de peças com não conformidade para análise do problema. Superadas
as dificuldades, houve uma grande integração e envolvimento entre os níveis de
trabalho, possibilitando a troca de conhecimento e experiências. Também foi
possível perceber que a aplicação da metodologia QRQC, exige pouco investimento
e sua atuação por meio da gestão visual facilita o entendimento das atividades
e a gestão dos prazos de execução de cada etapa.
1.
Introdução
Para tentar
melhorar a sua qualidade de vida, o homem está em constante desafio com ele
mesmo. Ele procura soluções para os seus problemas e desenvolver o seu trabalho
de forma organizada.
Por meio da
atenção aos detalhes, podem-se levantar problemas e, consequentemente, estudar
soluções. Usando ferramentas e tecnologias adequadas, pode-se transformar
matéria-prima, criar objetos ou modificar espaços, melhorar o ambiente e o
equipamento de que necessitamos desde que sigamos as etapas de um procedimento
lógico (Andrade, 2002; Faleiro, 2012).
Neste caso, objetivo do trabalho, foi mostrar que é
possível trabalhar com um conjunto de ferramentas que se inter-relacionem
formando um processo de identificação e resolução dos problemas da qualidade
(CORREIA & CORREIA, 2008; FARIAS & SALLES, 2007; LAUGENI & MARTINS,
2005; PALADINI, 2009). Neste contexto, o estudo de caso onde são trabalhadas 4
ferramentas da qualidade de maneira sequencial: 5W2H, Diagrama de Ishikawa 5
Por Quês e Diagrama de Pareto, utilizando o método do QRQC – Quick Response
Quality Control (Resposta Rápida para Controle de Qualidade).
2 DESENVOLVIMENTO
O QRQC - Quick Response Quality Control (Resposta
Rápida para Controle Qualidade) é um método de gerenciamento à vista, Incluindo
principais ferramentas da qualidade para a análise e identificação de problemas
originários no processo produtivo, sendo normalmente utilizado em indústrias do
setor automotivo.
“Promove ações de melhoria e correção dos
processos no momento da identificação da oportunidade ou do desvio, abordando
os seguintes fatores: objeto de melhoria, problema identificado, causa do
problema, ação a ser tomada para correção, responsável pela ação de melhoria e
prazo para conclusão” (GONZALEZ & MARTINS, 2011, p. 7.).
As ferramentas 5W2H, Diagrama de Ishikawa, 5 Por Quês e
Diagrama de Pareto compõe a metodologia que é dividida em 8 fases, chamada 8D. A
primeira ferramenta, 5W2H, vem das seis perguntas: What (O que), Who (quem),
Where (onde), When (quando), Why (por quê) e How (como)
e posteriormente foi acrescentado mais um H de How Much (quanto custa) a
fim de basear a tomada de decisão quanto a custos. Alguns especialistas mencionam
que o resultado dessas perguntas não é uma exposição clara das falhas, mas sim
uma indicação mais precisa da causa do problema. (SELEME & STADLER, 2008; PARANHOS,
2007; GOMES, 1998; SEBRAE, 2005). O Diagrama de Ishikawa é considerado como uma
ferramenta eficaz na identificação das possíveis causas-raízes, utilizado
depois de uma Análise de Pareto, onde os problemas mais importantes serão focos
de análise. Sua aplicação tem objetivo de identificar o problema colocando-o no
lugar onde ficaria a cabeça do peixe, ramificando as possíveis causas e causas
raízes na espinha dorsal do peixe, onde será preenchido conforme a lógica dos
6M’s: máquina, material, meio ambiente, método, mão de obra e meio de medida.
Para Seleme e Stadler (2008, p. 43) a aplicação dos 5 Por
quês tem como objetivo identificar a sua causa raiz. No caso do QRQC a causa
raiz de gerenciamento. De acordo com os especialistas deve-se realizar a
pergunta “por quê?” quantas vezes forem necessárias, “estruturando o pensamento
lógico” para chegar à causa do problema, direcionando as ações que efetivamente
o solucionarão. Ao se perguntar e responder cinco vezes porquê, Ohno (1997, p.
37-38), “se pode chegar à verdadeira causa do problema, que geralmente está
escondida atrás dos sintomas mais óbvios.” Werkema (1995) descreve que o
Princípio de Pareto estabelece que os problemas relacionados à qualidade sejam
classificados em “poucos vitais”, os de menor número, porém que trazem grandes
perdas, e os “muito triviais”, que são a grande maioria dos problemas, mas que
se convertem em perdas pouco significativas. A autora acrescenta ainda que num primeiro
momento deve-se focar nos poucos vitais, para que os problemas possam ser resolvidos
da forma mais eficiente possível. “Nesse sentido, o gráfico idealizado permite
que sejam identificados e classificados aqueles problemas de maior importância
e devem ser corrigidos primeiramente.” (SELEME & STADLER, 2008, p. 88).
Na metodologia QRQC, as ferramentas da qualidade são
usadas de uma forma sequencial, para tratar o problema na sua causa-raíz, para
a sua reincidência. Além disso, é possível o gerenciamento do tempo de forma
mais eficaz, pois em cada fase, existe um prazo para o fechamento das ações. A
metodologia também é muito dinâmica, pois envolve equipes multifuncionais,
atuando em todos os níveis da organização, o que facilita o processo de integração
entre todos os níveis da organização, o que melhora o clima organizacional e quebra
as diferenças e barreiras culturais.
Por meio de uma visão mais prática o QRQC, por se tratar
de gestão a visual, todas as ferramentas ficam condensadas em um único
formulário, flipchart, de tamanho A1 (59,4 x 84,1 cm ), onde as informações
são colocadas de forma prática e rápida. Cada flipchart é feito para
tratar de um problema, sendo que cada folha de flipchart é denominado como um QRQC. Um QRQC fechado é um problema
resolvido. Além de preencher o formulário, todas as evidências de cada etapa
são anexas e disponibilizadas.
Os
seis pontos chave do QRQC para melhoria contínua:
- LUGAR REAL - Vá para o lugar onde o problema acontece, quando acontece.
Primeiro, vá para o genba, ou seja, o lugar onde isso acontece, para ver por vocês próprios olhos. O genba pode ser uma máquina, o local onde ocorreu um acidente, o cliente, etc
- PEÇAS REAIS -
Olhe para peças
reais. Comparar peças ruins com as peças boas.
Sem olhar para as peças reais, nenhuma melhora é possível. Comparar peças
ruins com as peças boas, no momento que o defeito acontece para encontrar
diferenças e entender o problema.
- DADOS REAIS -
Observar a
realidade por seus próprios olhos.
No genba, observar a situação, pedir aos operadores. Não confie em relatórios indiretos, sobre a imaginação. Falar com fatos e dados.
- RESPOSTA RÁPIDA - Responder imediatamente para proteger o seu cliente.
• Seja rápido ao responder ao problema. Quanto mais rápido você ir para o lugar real e analisar as peças reais com a situação real, quanto mais evidências mais você vai entenderas causas.
• Seja rápido para proteger o seu cliente, sendo a contenção a primeira
prioridade.
• Por outro lado, não necessariamente ser rápido em tomar ações corretivas: primeiro encontrar e provar causas.
• Por outro lado, não necessariamente ser rápido em tomar ações corretivas: primeiro encontrar e provar causas.
- O PENSAMENTO LÓGICO - No final, a história deve ser simples.
O pensamento lógico refere-se à capacidade de explicar simplesmente a seqüência lógica de análises e ações.
Normalmente:
1. O problema é ...,2. A
causa raiz ... é ..., 3. ... Portanto, as medidas defensivas são ... 4. E o
caminho ... vamos prevenir a reincidência é ... Um problema bem resolvido é um
problema que é fácil de explicar.
1. O problema é ...,
- COACHING NO TRABALHO - Suportar, Monitorar, Reconhecer.
Para fazer QRQC, precisamos de líderes para treinar suas equipes, diariamente, no chão de fábrica. Coaching é um trabalho dos gestores. Ele consiste em monitorar o desempenho e garantir a disciplina, treinamento no trabalho, apoio a equipes de sempre que a assistência é necessária, chamando as pessoas adequadas ou problemas crescentes para um nível superior, e, finalmente, reconhecendo os sucessos. É um processo de cima para baixo, de baixo para cima, de Plant Manager para os Operadores, feito principalmente durante as revisões. Há um benefício direto para gerentes deste investimento de tempo: Saiba diáriariamente de assistir o genba; educar a equipe a se tornar mais e mais autônoma na resolução de problemas por si próprios; motivar sua equipe por aplaudir os sucessos e, portanto, fazer a promoção com base em sucessos reais ou falhas.
O filosofia do QRQC implica em quatro desafios diários para os Gestores:
1.Você melhorou alguma
coisa hoje?
2. Você aprendeu alguma coisa hoje?
3. Você ensinou alguma coisa hoje?
4. Você felicitou alguém hoje?
2. Você aprendeu alguma coisa hoje?
3. Você ensinou alguma coisa hoje?
4. Você felicitou alguém hoje?
2.1 Aplicação
da metodologia QRQC para Melhoria Contínua
A seguir é apresentada a lógica de preenchimento e as
funções em cada fase do QRQC e lógica de preenchimento:
- Abertura do QRQC
- Número para
controle de QRQC;
- Definição da
equipe de trabalho;
- O problema, na
visão do cliente.
Segue abertura do QRQC conforme quadro 1. (Clique nas imagens para uma melhor visualização)
Etapa D1
– Definição do problema e Análise “É ou NÃO É Problema” / D2 – Riscos em
produtos e processos similares.
Etapa
- D1
5W2H
Etapa
estruturada a partir das perguntas:
- Qual é o
problema? (Na visão da organização)
- Por que é um
problema? (O que impacta)
- Quando o
problema aconteceu? Quando o problema foi criado?
- Quem encontrou o
problema? Quem criou o problema?
- Onde o problema
foi encontrado? Onde o problema foi criado?
- Como o problema
foi encontrado?
- Quantas vezes?
- Problema
reocorrente? Sim ou Não.
- Alertar outras
fábricas ou centros de pesquisa e desenvolvimento? Sim ou Não.
Segue
etapas D1 e D2 conforme quadro abaixo.
Análise
- É problema / Não é problema
A Análise - É problema / Não é problema é uma descrição do
problema,
detalhado quanto possível, para ser focado apenas em que
pode ser realmente problema ou contribui para ser um problema. Veja o quadro 3.
Com
base na Análise - É problema / Não é problema feito acima podemos redefinir o problema em relação à detecção e
ocorrência, conforme quadro 4.
Etapa D3 - Contenção
A etapa D3 de Contenção são ações que precisam ser
tomadas dentro de 24 horas para
garantir que não cheguem peças com problemas no cliente, conforme mostra quadro
abaixo.
Etapa D3 / D7 - Tracking Chart – Contenção e
Monitoramento de Nova Ocorrência Durante a Tratativa do Problema.
No quadro abaixo, exemplificamos como um tracking chart o registro da quantidade
de peças não-conformes e seus respectivos locais, nas quais foram encontradas. Além disso, podemos
monitorar durante a análise do problema a possível nova ocorrência da falha e
robutez das ações para evitar esta nova ocorrência desta falha.
Etapa
D4 – Causa Raiz da Não Detecção
Na etapa D4, é investigada a causa raiz de não detecção.
Para isso começamos a investigação pelo fator retido (ex. n° 2) para descobrir
as subcausas da não detecção do problema.
Para buscar a verdadeira causa raiz de gerenciamento,
utilizamos os 5 Por quês a partir de uma subcausa validada, de acordo com o
quadro 7.
Etapa
D5 – Causa Raiz da Ocorrência
Na etapa D5, é investigada a causa raiz da ocorrência, da
mesma forma que é feito na investigação da causa raiz de gerenciamento da
ocorrência, conforme quadro 8.
Etapa D6 – Ações
Corretivas
Na etapa D6 são colocadas as ações corretivas técnicas e
de gestão com responsáveis e prazos para desenvolvimento e monitoramento das
ações propostas, como pode ser visto no quadro 9.
Etapa
D8 – Lições Aprendidas
Na etapa D8, são verificadas se as ações foram validadas,
os documentos revisados ou implementados e o que foi aprendido para evitar nova
ocorrência do problema, conforme quadro 10.
3. Conclusão
Verificou-se que o uso da metodologia QRQC na Empresa X
apresentou e apresenta bons resultados. Além da redução dos índices de
reclamações, foi possível também identificar a diminuição dos custos na
resolução de não conformidades, a melhoria contínua nos processos internos e
nos fornecedores e também a melhoria do gerenciamento e do tempo de resposta. O
bom desempenho da metodologia QRQC também se deve ao fato que a Empresa X tem a
qualidade como um de seus princípios.
O uso da metodologia QRQC, quando bem aplicada e bem
gerenciada, faz o tratamento do problema de forma definitiva, evitando a
reincidência e possibilita a melhoria contínua, fazendo com que o tempo e os recursos
sejam mais bem utilizados.
No final de cada QRQC existe a etapa D8 chamada de Lições
Aprendidas, onde a experiência adquirida na resolução do problema servirá como aprendizado
e para o conhecimento de todos.
Constatou-se que o QRQC, ainda possui alguns pontos que
dificultam a aplicação da metodologia. O QRQC depende diretamente do fator
humano e na equipe multifuncional a maioria das pessoas não possui o mesmo grau
de envolvimento tendo a necessidade de monitoramento contínuo para os prazos de
resposta. Outro detalhe é a falta de conhecimento das ferramentas da qualidade,
onde a eficácia do QRQC depende se os envolvidos possuem conhecimento das
ferramentas da qualidade.
Referências
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Editora. Lisboa- Portugal, 2002.
FALEIRO, Armando, Gesto-Imagem 5/6, Porto Editora.
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Criado em 2007. Acesso em: 08/10/2012
PALADINI, Edson P. Gestão Estratégica da
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SEBRAE. Manual de
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SELEME, Robson &
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SEVERINO, Antônio Joaquim.
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em serviços de informação. São Paulo: Arte & Ciência, 2002.
WERKEMA, Maria C. C. Ferramentas
Estatísticas Básicas para o Gerenciamento de Processos. Belo Horizonte:
Fundação Christiano Ottoni, 1995.




















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